Cronicamente Crescendo

Na semana passada, mais uma das dezenas de coisas com que nunca nos temos de preocupar ao ser criança me aconteceu. Eu achava que iria ser legal receber cartas, ter conta no banco e motivos para sair. Com 18 anos, e apenas no início disso tudo, mudei um bocado de ideia.

Pois hoje posso falar que tive o meu primeiro cartão extraviado.  Sim, senhores. Perdido por aí, entre os correios e as agências bancárias, o pequeno pedacinho de plástico não foi mais achado. O engraçado é que fazê-lo foi parte de outra memorável experiência: a de entrar na faculdade. Eles nos ajudam durante a matrícula a conseguir o benefício de estudante no banco. E, como qualquer um que estava mega ansioso e confuso, eu preenchi os papéis, saí dali e tentei não pensar muito sobre.

Afinal de contas, como é que é suposto processar toda a responsabilidade? As férias antes da facudade soam apenas como qualquer outra. Por isso eu passei mais tempo assistindo séries do que me preparando mentalmente para a sucessão de papéis, perguntas e ligações. Talvez devesse ter procurado tutoriais sobre como adultar, porque acho que o simples facto de eu ter criado um verbo para essa fase mostra o quanto a minha criança interna ainda está no comando.

As aulas começaram, o que foi estresse e satisfação suficiente para um outro capítulo destas nossas crônicas. Os meus colegas receberam os seus cartões, também feitos na gloriosa semana de matrícula. Eu devo admitir: eles são uma belezura! Com os nossos nomes e, vejam só, a descrição de que somos jornalistas em baixo. O status caiu em peso, bem como a vontade de que o meu chegasse.

Semanas passaram até que eu recebi uma ligação dizendo que eles tinham um cartão esperando-me no banco. Mais um momento em que eu poderia ter usado umas habilidades de adulto e perguntado que cartão era, pois tratava-se de apenas um secundário. O banco, carente como sempre, pedem mais uma visita na agência e hora tal. Não me oponho, porque também não tenho muito mais opção de companhia do que aquele pessoal que gere as nossas contas.

Eram só 8 horas da manhã de uma sexta-feira qualquer e lá estava eu, mais como uma criança na manhã de Natal do que uma adulta a resolver problemas com o banco, a espera de que o cartão aparecesse. O final dessa história eu contei logo no início dela, portanto vocês já sabem. Brinquei com os meus amigos que o próximo passo seria casar, comprar uma casa e construir uma família. Isso é se você está preparado para seguir a direção natural da vida. Mas sempre há a opção de permanecer tendo, sei lá, metade da sua idade.

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