Início das Segundas Crónicas.

Olá, caros leitores! Decidi começar um novo segmento no meu blog, um que se aproxima do que espero de um futuro no Jornalismo e que, acima de tudo, aproxima-vos da minha realidade. Existem alguns motivos para tal e, neste primeiro episódio, vou explicá-los.

Digamos que a minha vida não é tão tradicional. Como muitos sabem, sou imigrante: moro em Portugal há um ano e neste meio tempo conquistei várias coisas, como uma vaga numa faculdade pública no curso que sempre amei. Antes disso tudo ser possível, eu não sabia onde encontrar relatos de gente que sonhasse com o mesmo, sobretudo que mostrasse o lado amargo do real. E, repetindo aquilo que falo aos meus amigos quando estes perguntam-me sobre a mudança, há uma enorme lista de aspetos positivos, mas deveríamos ser ao menos avisados sobre o que é desconfortável.

E “conforto” aqui é uma palavra chave, inclusive em sua negativa. Sair de casa todos os dias de manhã dói um bocado, porque seria mais fácil ficar na sua casa dormindo mais um pouco, ou assistindo um filme, escutando uma música… Enfim, estando no seu cantinho. Segundas-feiras são um tanto mais chatas porque não simplesmente passaste a noite no seu quarto com suas coisas, mais 48 horas de total conforto.

Simplificando bastante o que é mudar-se de continente, isto é, afastar-se do seu lar, posso afirmar que é como viver várias segundas-feiras por semana, durante alguns meses. De certo que há quartas e quintas, onde estás mais acostumado com a realidade cotidiana. Mas segundas sempre voltam. Tens que decidir, portanto, se estás pronto para o trabalho que é conquistar seu espaço num novo país, até que a vida volte a ter a suavidade de um final de semana.

Outra palavra chave é “realidade”. Todos conhecem o dizer “O gramado do vizinho é sempre mais verde” ou alguma variável dele. No Brasil isso é tido quase como um facto, pois estamos acostumados à pensar que o melhor está do lado de fora das nossas fronteiras. Ele vive na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá. Onde quer que seja, mas não em terras tupiniquins. Aqui em Portugal há, como eu disse, muita coisa boa que deve sim ser apreciada. Mas, através de crónicas, quero mostrar que nada é perfeito. O género textual é a escolha ideal para desmistificar o gringo e a gringuisse, pois é por meio de cronistas que ouvimos falar dos lugares, sobretudo da gente que vive neles e os faz.

Também pretendo falar-vos um pouco das muitas outras denominações que posso ter. Caloira, jovem desempregada, recém formada do ensino médio e vários outros nomes que podem ter dado a ti ou que te esperam.

Espero-vos para mais uma segunda-feira crónica, sem esperar obviamente que as vossas sejam problemáticas – muito menos cronicamente. Responderei algumas das perguntas que me são feitas, tentando explicar-me melhor o possível. Aproveitem para enviar-me qualquer dúvida que tenham, pois estas cá são agradecidas! O objetivo é que, em determinado ponto, contem-me sobre as vossas segundas-feiras, em qualquer ponto da semana que elas aconteçam. O melhor dos finais de semana é vivê-los com boa companhia, então que cheguemos lá juntos!

Até o próximo post, queridos e queridas.

Xoxo,

Michelle Lebres.

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